30.5.11

Fim de capítulo

Este vosso companheiro, chega ao fim de um capítulo ao serviço do canetapermanente.
Foram bons anos, boas postas, e prazer na escrita e na leitura, mas, infelizmente, já não sinto o carinho que me levou a fazer o desafio de criarmos este espaço.
Razões haverá várias, mas a essencial prende-se com um desejo de privacidade que sinto violado, quando escrevo, exponho, ou publico alguma coisa, sobretudo noutros espaços.
A violação mais grave surge quando o que publico se presta a interpretações várias, estejam elas certas ou erradas, quando não se pergunta ao próprio, quando se destrói magoando terceiros.
É hora de dizer Adeus, agradecendo ao Carlos por ter alinhado desde o primeiro momento no desafio. Ao brilhante Ricardo pela maravilhosa forma como escreve. Ao João por nos fazer companhia de qualidade.
E à musa, de uns e de outros, nascida já ou ainda não, porque sem ela este lugar não faria sentido.

Zeca

28.5.11

O nosso próximo primeiro-ministro

O nosso próximo primeiro-ministro não sabia (!?) que o memorando da troika ia sofrer ajustamentos.

O nosso próximo primeiro-ministro votou "sim" no referendo ao aborto, mas admite uma nova consulta popular.

O nosso próximo primeiro-ministro prometeu, em alto e bom som, um Governo "enxuto" com 10 ministros, mas agora já admite que podem ser mais.

O nosso próximo primeiro-ministro, à primeira crítica, promete que vai rever o programa para a educação.

O nosso próximo primeiro-ministro propôs uma revisão constitucional ambiciosa, que agora está remetida para o esquecimento de uma gaveta.

O nosso próximo primeiro-ministro diz uma coisa de manhã e o seu contrário à tarde... todos os dias.

Ou seja, reúne todas as condições para desempenhar o cargo.

20.5.11

Ana Rita Clara


Apareceu a norte na televisão. Ana Rita Clara transporta beleza e sensualidade, num rosto que se me afigura familiar. E tem, claro, as sobrancelhas naturalmente perfeitas. Não é o único atributo. E ainda bem.

12.5.11

Votar sim, mas em quem? (2)

"As grandes questões" de Eduardo Catroga, "passe a expressão"



O (ex-) futuro ministro das Finanças??!!

5.5.11

"Troika"

Depois de três semanas de trabalho, a "troika" (FMI, BCE e Comissão Europeia) terminou a sua missão em Portugal.

Deixa um "cheque", de 78 mil milhões de euros de ajuda, sujeitos a um conjunto de condições e sacrifícios... mais a respectiva taxa de juro, porque ninguém está aqui para perder dinheiro, a não ser - eventualmente - os portugueses.

O plano não é tão duro quanto foi na Grécia e na Irlanda, mas não é brincadeira. Das duas conferências de imprensa desta manhã, de cujo conteúdo tive apenas conhecimento indirecto, retenho duas frases que aqui deixo para "registo de memória futura":

"Programa não tem boas notícias, mas é uma oportunidade", disse o reaparecido ministro Teixeira dos Santos.

“[Programa] Ousado, exigente, mas equilibrado e justo”, resumiu a "troika".

Daqui a três, se ainda cá estivermos e houver Portugal, faremos o relatório e contas desta "ajuda" que alguns economistas consideram insuficiente.

Uma das análises que vai ter que se fazer é se o primeiro-ministro fez bem em atrasar ao máximo (e diabolizar) o pacote de ajuda internacional; outra é saber se estamos ou não melhor lá para 2014.

2.5.11

"Bin Laden is dead, Justice has been done"



Dia histórico na luta contra o terrorismo, mas continuo a achar exagerados os festejos de uma morte como se de um golo no futebol se tratasse.

25.4.11

25 de Abril. Sempre

Neste dia, lembro sempre duas pessoas que muito admiro e a quem nós (todos) devemos um dos bens essenciais da humanidade: a Liberdade.

Zeca Afonso e Salgueiro Maia são os heróis que, pelo menos hoje, têm que ser lembrados e elogiados,

Por aquilo que fizeram, por aquilo que conseguiram... sem pedir nada em troca.

Respect

A Salgueiro Maia
Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele mas também por ele
Pessoa disse

Sophia de Mello Breyner Andresen

22.4.11

Votar sim, mas em quem? I

Estreia hoje no "Caneta Permanente" uma rubrica que nos vai acompanhar até às eleições legislativas de 5 de Junho.

Neste post de abertura deixo aqui três notas essenciais:

1) as sondagens dão conta, esta semana, de uma aproximação do PS ao PSD. Se José Sócrates ainda for ganhar as eleições, no quadro de crise que o país atravessa, é um verdadeiro milagre político que mereceria análise cuidada de todos os politólogos mundiais.

2) a forma como o PS deixou cair o ministro Teixeira dos Santos das listas a deputados é reveladora do ambiente de guerrilha que parece instalado entre o ministro das Finanças e o primeiro-ministro. Amigos, amigos, listas à parte, pensam uns, mas também é revelador do feitio de Sócrates que não perdoa nem aos seus maiores amigos (ou ex).

3) os senhores do FMI devem estar passados com os cinco dias de "férias" que a maioria dos portugueses goza entre quinta e segunda-feira.

20.4.11

Marion Cotillard

Paris já deu muitas coisas boas ao mundo, certamente mais de 20. E uma delas, sem dúvida, chama-se Marion Cotillard.

12.4.11

Emergência nacional

Já não bastava termos capitulado e sido obrigados a pedir ajuda ao estrangeiro para nos tentar salvar da bancarrota, agora temos o próprio ministro das Finanças a admitir que só há dinheiro até ao fim de Maio.

O FMI está aí, vêm aí medidas muito duras, isto ainda vai piorar antes de melhorar e não sei onde vai parar. Quando já temos mais de 600 mil desempregados, temo que o país bata no fundo.

Esta é verdadeiramente uma situação de emergência nacional e é lamentável ver como os nossos políticos andam (continuam) a brincar com isto...

É caso para dizer: há coisas com que não se brinca e um país em falência é (devia ser) uma delas.

11.4.11

Conversas no Facebook II

"Um amigo, preocupado e atento, deu o alerta...

A crise política começou e Cavaco não disse nada.

O Sócrates ameaçou demitir-se e Cavaco nada disse.

O Sócrates demitiu-se mesmo e Cavaco continua sem nada dizer.

Pergunta: Não será melhor alguém passar lá em casa a ver se está tudo bem? Nos dias de hoje todo o cuidado é pouco com idosos sozinhos em casa."

roubado de Petição Contra a Petição Contra os Homens da Luta na Eurovisão

5.4.11

Diz que disse

Como é que se vê que o país está mal: quando já nem no Conselho de Estado há entendimento sobre o que lá se discutiu.

Não sei se são "surdos", "distraidos" ou "mentirosos", mas alguma coisa grave se passa.

Isto está a transformar-se numa peixeirada inacreditável (e inaceitável) com conselheiros contra conselheiros a desmentirem-se uns aos outros. Para além de Sócrates, já falaram quatro conselheiros e, a esta hora, está "2-2".

Alguém tem que parar com isto e rapidamente.

26.3.11

Passos trocados

Começo mesmo a achar que, realmente, cada país merece os políticos que tem. Já começa a fartar esta coisa de dizerem uma coisa para chegar ao poleiro e fazerem exactamente o contrário quando lá chegam.

Para não ir mais atrás, foi o que aconteceu em 2002 com Durão Barroso e em 2005 com José Sócrates: ambos aumentaram impostos, depois de jurarem a pés juntos que o não fariam.

Agora é a vez de Pedro Passos Coelho fazer o mesmo em 2011: foram meses a dizer "não mais medidas de austeridade", "não mais subidas de impostos porque o país não aguenta"; se dúvidas houvesse sobre a posição do líder até foi escrito um livro onde a oposição a mais impostos vem escrita; nas últimas semanas a pressão aumentou com o PEC 4, porque vinha aí mais austeridade e o programa acabou chumbado, "obrigando" a eleições antecipadas.

Menos de 24 horas (!!) depois de fazer cair o Governo, Passos Coelho vai a Bruxelas, leva um puxão de orelhas da senhora Merkel... e, afinal, o PSD tudo irá fazer para cumprir o défice e, pasme-se, até já admite subir impostos, mais concretamente o IVA, o dito imposto "cego" e, por isso, mais injusto.

Menos de 24 horas e uma conversa com a senhora que manda na Europa bastaram para Passos Coelho dar uma cambalhota política. Não começa nada bem... e o grave disto é que ainda estamos só no princípio de um processo e não se vê melhorias, antes pelo contrário.

O país está em crise - se calhar uma das maiores de sempre. Convinha que quem nos governa se entendesse, a bem de todos nós.

Quando será que os políticos vão deixar de mentir aos eleitores? Quando será que os políticos vão passar a dizer a verdade aos eleitores? Quando será que os políticos vão governar para o bem do país e não para os seus umbigos?

25.3.11

Momento LOL

Obrigado Futre por esta grande conferência de imprensa

24.3.11

Prognósticos... só no fim do jogo

... e pronto, depois de semanas de crispação, que se agravaram após o discurso de tomada de posse de Cavaco Silva, lá caiu o Governo de Sócrates, seis anos depois.

Não sei o que vai acontecer nas próximas semanas, meses e anos, mas temo que isto ainda vá piorar antes de melhorar. A entrada do FMI, agora mais próxima depois desta crise política, vai trazer ainda mais problemas aos portugueses. Os exemplos grego e irlandês não auguram nada de bom.

José Sócrates desiludiu muita gente (de esquerda), podia e devia ter feito muito melhor, apesar da crise? Sim, sem dúvida. Pedro Passos Coelho vai fazer melhor? Sinceramente, não sei, mas tenho dúvidas.

Entretanto, lá para o princípio de Junho vamos (outra vez) a eleições. E se daí não sair uma clarificação? E se os dois partidos da direita não tiverem maioria absoluta, como (quase) toda a gente prognostica?

Aí não é FMI... é mesmo FIM

20.3.11

Esperanza Spalding



Há duas coisas que nunca falham: o fisco e o Caneta Permanente, que a cada dia 20 elege a sua "mais que tudo"... pelo menos daquele mês.

Esperanza Spalding começou a tocar violino muito cedo, com quatro anos, mas o sensível instrumento era pequeno de mais para o talento imenso desta norte-americana.

O contrabaixo não é para meninas, dirão os mais conservadores, mas Esperanza não se deixou intimidar e decidiu enterrar mais um estereótipo. E também canta em várias línguas, Português incluído.

19.3.11

"2011 - Odisseia ao Amanhecer"

... Não, não é o novo filme de Stanley Kubrick, mas sim a nova operação militar dos Aliados, agora na Líbia, ao abrigo da resolução 1973 da ONU.

A primeira missão disparou mais de 100 mísseis que atingiram 20 alvos líbios. Terão morrido, segundo os líbios, pelo menos, 48 civis.

Via Joana Beleza: "Coincidências do caneco: Há PRECISAMENTE 8 anos começava a guerra no Iraque"

12.3.11

À rasca estão quase todos

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos" - Salgueiro Maia.

É por causa do estado a que chegámos que 300 mil pessoas estão hoje na rua em várias cidades do país e muitas mais estão solidárias com as manifestações.

(Quase) Todos têm razões de queixa da situação actual: o desemprego não pára de aumentar, muitos dos que têm trabalho são precários e/ou ganham mal, muitos outros fazem algo que não está directamente ligado àquilo que andaram a aprender; as reformas estão a ser cortadas, os apoios sociais e subsídios também.

É a crise internacional, diz o Governo. Não duvido que essa crise tenha influência e dificulte a recuperação económica e também não tenho dúvidas que é mesmo preciso controlar o défice e o endividamento.

O que não percebo é o caminho escolhido por um Executivo que se diz socialista: cortar salários, pensões e subsídios, simplesmente aumentar impostos cegos, insistir em despesas supérfluas, facilitar despedimentos e, já agora, também não percebo um Governo que anda a enganar o povo com constante "conversa da sereia" antes de mais uma facada nas costas dos mesmos de sempre...

Enquanto isso continuam muitos a fugir aos impostos, continuam os bancos a ter regimes de excepção, continuam a pagar-se salários escandalosos em institutos e empresas públicas.

Não percebo isto, como não percebo como não se aposta nos jovens formados que estão a fugir para o estrangeiro e brilham lá fora.

Por estas e por outras estou com o protesto de hoje, apesar de eu - pessoalmente - ter tido a sorte de conseguir empregos estáveis (se é que isso ainda existe) e de achar, por outro lado, que alguns jovens poderiam ser um pouco mais flexíveis na busca de trabalho - se a sua primeira e legitima opção demorar a aparecer.

Armageddon

Sismo de 8.9; tsunami com onda superior a 10 metros; fuga radioactiva. Esta sequência digna de filme, infelizmente, é bem verdadeira e aconteceu no Japão.

Ainda não se conhece a verdadeira dimensão desta tragédia - e vai demorar muito até tudo se saber - mas o certo é que a força da natureza voltou a ditar leis. As imagens são impressionantes e dramáticas.

São já mais de mil mortos e muitos mais serão, infelizmente.

Olhando à distância para as imagens não consigo deixar de pensar que estamos a falar de um dos países que melhor está preparado para reagir a sismos desta magnitude extrema e de como seria se algo de semelhante acontecesse por cá.

Estamos preparados? Enquanto país e enquanto indivíduos? Claramente a resposta é NÃO.

Que os deuses nos poupem porque, se algum dia se repetir 1755, corremos o risco de desaparecer do mapa.