Dentro de poucas horas abre, no Algarve, a temporada oficial de futebol com um FC Porto - Sporting, para a Supertaça Cândido de Oliveira.
Para assinalar esta ocasião lembrei-me de uma frase célebre que explica a "febre" deste desporto pelo mundo.
"O futebol é a coisa mais importante, das coisas menos importantes".
Já vi a "paternidade" desta frase ser entregue a vários autores mas, seja de quem for, está muito bem esgalhada.
16.8.08
14.8.08
Deve ser do cansaço (5)
Confesso que fiquei baralhado: pensava eu que uma das apostas do Executivo era levar as pessoas a utilizar os transportes públicos.
Boa ideia: menos carros, melhor ambiente…
Afinal, parece que isso chateia/preocupa alguns membros do Governo.
Diz a secretária de Estado dos Transportes a propósito da CP: “Como houve um aumento anómalo no número de passageiros torna-se necessário comprar mais material circulante e é isso que estamos a fazer”.
Anómalo?
Claro que o “aumento anómalo” se ficou a dever à subida dos combustíveis para valores nunca antes vistos, mas não era suposto ser bom as pessoas aderirem aos transportes públicos e deixarem os carros em casa?
Eu cá, acho que sim...
Boa ideia: menos carros, melhor ambiente…
Afinal, parece que isso chateia/preocupa alguns membros do Governo.
Diz a secretária de Estado dos Transportes a propósito da CP: “Como houve um aumento anómalo no número de passageiros torna-se necessário comprar mais material circulante e é isso que estamos a fazer”.
Anómalo?
Claro que o “aumento anómalo” se ficou a dever à subida dos combustíveis para valores nunca antes vistos, mas não era suposto ser bom as pessoas aderirem aos transportes públicos e deixarem os carros em casa?
Eu cá, acho que sim...
13.8.08
Espírito Olímpico
Os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 estão aí e a natação tem sido uma das modalidades mais faladas. São os fatos hidrodinâmicos, as piscinas facilitadoras de recordes, as medalhas de Michael Phelps... blá, blá, blá, blá, blá.
Mas no meio de tudo isto, onde é que fica espaço para aquele nobre sentimento que esteve na génese da maior reunião desportiva mundial, aquela coisa do espírito olímpico?
A história de Eric Moussambani merece ser contada e relembrada nesta sociedade da vitória a todo o custo, melhor ainda se for com doping e batota à mistura.
Para o nadador da Guiné Equatorial, a verdadeira medalha de ouro foi estar nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.
Este herói improvável aprendeu a nadar nove meses antes da competição, num pequeno tanque, sem nunca ter tido ocasião de o fazer numa piscina de 50 metros.
Chegou à Austrália e, surpresa das surpresas, ganhou a sua série por desqualificação dos seus adversários, que fizeram falsa partida.
Moussambani podia não saber nadar muito bem, mas tinha uma audição apurada, uma qualidade muitas vezes desvalorizada na natação, mas que o livrou de mergulhar antes de tempo.
Já ninguém se lembra do nome do atleta africano, nem isso é o mais importante, o que importa é que o espírito perdure.
Mas no meio de tudo isto, onde é que fica espaço para aquele nobre sentimento que esteve na génese da maior reunião desportiva mundial, aquela coisa do espírito olímpico?
A história de Eric Moussambani merece ser contada e relembrada nesta sociedade da vitória a todo o custo, melhor ainda se for com doping e batota à mistura.
Para o nadador da Guiné Equatorial, a verdadeira medalha de ouro foi estar nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.
Este herói improvável aprendeu a nadar nove meses antes da competição, num pequeno tanque, sem nunca ter tido ocasião de o fazer numa piscina de 50 metros.
Chegou à Austrália e, surpresa das surpresas, ganhou a sua série por desqualificação dos seus adversários, que fizeram falsa partida.
Moussambani podia não saber nadar muito bem, mas tinha uma audição apurada, uma qualidade muitas vezes desvalorizada na natação, mas que o livrou de mergulhar antes de tempo.
Já ninguém se lembra do nome do atleta africano, nem isso é o mais importante, o que importa é que o espírito perdure.
8.8.08
Memórias Olímpicas
Em dia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, recordo os primeiros de que tenho "memória viva": Los Angeles 84.
Três dados essenciais:Depois, o herói dos Jogos: Carl Lewis (quatro medalhas de ouro)
Estou convencido que, agora, em 2008, Portugal vai fazer os melhores Jogos Olímpicos de sempre.
Três dados essenciais:
- Primeiro, a fantástica música do John Williams
- Por fim, o nosso herói: Carlos Lopes
Estou convencido que, agora, em 2008, Portugal vai fazer os melhores Jogos Olímpicos de sempre.
5.8.08
Camarão humano
Não sei se é do calor, que derrete algumas das "células cinzentas" das pessoas, mas o certo é que, depois de quatro semanas de férias, quase todas passadas na praia, fartei-me de ver pessoas a torrar ao sol.

Faz-me impressão que, com tantas campanhas de sensibilização - apesar das campanhas de sensibilização - tanta gente continue a ignorar os perigos.
Mais incrivel ainda é que alguns dos "camarões humanos" são reincidentes e, apesar de já estarem "vermelhos", continuam ao sol - a horas impróprias - como se não houvesse amanhã.
Até admito um "acidente" do género "É pá, adormeci...", mas algumas das barbaridades que vi são assustadoras e não parece haver camada do ozono ou cancro da pele que os pare.
Já agora, boas férias, se for caso disso. Eu, amanhã, já vou trabalhar.

Faz-me impressão que, com tantas campanhas de sensibilização - apesar das campanhas de sensibilização - tanta gente continue a ignorar os perigos.
Mais incrivel ainda é que alguns dos "camarões humanos" são reincidentes e, apesar de já estarem "vermelhos", continuam ao sol - a horas impróprias - como se não houvesse amanhã.
Até admito um "acidente" do género "É pá, adormeci...", mas algumas das barbaridades que vi são assustadoras e não parece haver camada do ozono ou cancro da pele que os pare.
Já agora, boas férias, se for caso disso. Eu, amanhã, já vou trabalhar.
4.8.08
A incrível longevidade dos anjos da morte
Este fim-de-semana vi um artigo na revista "Noticias Sábado" sobre a caça aos nazis levada a cabo pelo Centro Simon Wiesenthal e a operação a que chamam "Última Oportunidade". Última oportunidade porque os alvos, mais cedo ou mais tarde, vão morrer. Dos 10 mais procurados, responsáveis por atrocidades cometidas durante a II Guerra Mundial, grande parte até está localizada, a questão é que os respectivos países onde estão se recusam a extraditá-los.
Todos ainda vivos, o mais velho tem quase 100 anos, e o mais novo 84...
Daqui se conclui que, das três uma : ou não existe justiça divina, ou a justiça divina também não acredita em pena de morte, ou afinal, como alguns já equacionaram, o Inferno é mesmo na Terra.
Todos ainda vivos, o mais velho tem quase 100 anos, e o mais novo 84...
Daqui se conclui que, das três uma : ou não existe justiça divina, ou a justiça divina também não acredita em pena de morte, ou afinal, como alguns já equacionaram, o Inferno é mesmo na Terra.
1.8.08
Come on, Mr.President!
Afinal eram os Açores. E muitos ficaram surpreendidos pela falta de surpresa, depois da expectativa. Eu a meio só pensava :"De certeza que mais de 80 por cento dos portugueses já não estão a perceber nada disto, se é que já não perceberam desde o inicio". Mas também pouco interessava. Não era verdadeiramente para o português comum que Cavaco falava (por muita razão que tenha.)
Eu, de qualquer forma, acho que seria muito mais interessante qualquer uma das três hipóteses que tinham sido aventadas por mim e por pessoas próximas nessas horas de expectativa antes da comunicação:
1 - Cavaco ia anunciar que Deus lhe disse que o Mundo ia acabar e ia pedir aos portugueses para fugirem todos para Espanha. (sempre dá para atestar o carro mais barato na tentativa vã de fuga do inevitável.)
2- Cavaco ia anunciar que o Alberto João Jardim iria ser transferido para o Tribunal Penal Internacional, por crimes contra o bom-senso e a razoabilidade humana.
3- Cavaco ia apenas dizer : "Portugueses : só para dar um beijinho, e desejar boas férias."
Eu, de qualquer forma, acho que seria muito mais interessante qualquer uma das três hipóteses que tinham sido aventadas por mim e por pessoas próximas nessas horas de expectativa antes da comunicação:
1 - Cavaco ia anunciar que Deus lhe disse que o Mundo ia acabar e ia pedir aos portugueses para fugirem todos para Espanha. (sempre dá para atestar o carro mais barato na tentativa vã de fuga do inevitável.)
2- Cavaco ia anunciar que o Alberto João Jardim iria ser transferido para o Tribunal Penal Internacional, por crimes contra o bom-senso e a razoabilidade humana.
3- Cavaco ia apenas dizer : "Portugueses : só para dar um beijinho, e desejar boas férias."
31.7.08
Chegou ao fim um espaço de liberdade
Nem sempre concordei, nem sempre gostei do que li.
Mas o desafio, a que João Paulo Menezes se propôs e agora colocou um ponto final, é de louvar.
Para quem considera que jornalismo é pouco mais do que tirar um telex da máquina, cortar meia dúzia de palavras, e depois debitar ao povo, aquii fica a prova de que está errado.
E já que a blogosfera não os apaga, aqui ficam textos para ler sem preconceitos quando desejar. Em www.blogouve-se.com
Mas o desafio, a que João Paulo Menezes se propôs e agora colocou um ponto final, é de louvar.
Para quem considera que jornalismo é pouco mais do que tirar um telex da máquina, cortar meia dúzia de palavras, e depois debitar ao povo, aquii fica a prova de que está errado.
E já que a blogosfera não os apaga, aqui ficam textos para ler sem preconceitos quando desejar. Em www.blogouve-se.com
30.7.08
E depois queixam-se.
O Tribunal Constitucional chumbou o novo estatuto político-administrativo dos Açores.
Foi a pedido do Presidente da República que se pronunciou sobre 13 pontos que Cavaco Silva considerou não estarem de acordo com a lei fundamental. E não é que o TC descobriu que em 8 normas, Cavaco Silva tinha razão?
Coisas aparentemente fáceis de detectar pelo comum dos mortais porque colidiam claramente com as competências da Presidência da República.
O espantoso é que o estatuto em questão foi aprovado na Assembleia da República por unânimidade. E depois de longa e demorada e aturada análise como os políticos já nos habituaram.
Como foi possível ninguém ter dado com o gato?
Sei que nem todos são jurístas, nem constitucionalistas, mas alguns são. Onde estavam eles (não no 25 de Abril, mas no dia em que o estatuto foi aprovado?
Foi a pedido do Presidente da República que se pronunciou sobre 13 pontos que Cavaco Silva considerou não estarem de acordo com a lei fundamental. E não é que o TC descobriu que em 8 normas, Cavaco Silva tinha razão?
Coisas aparentemente fáceis de detectar pelo comum dos mortais porque colidiam claramente com as competências da Presidência da República.
O espantoso é que o estatuto em questão foi aprovado na Assembleia da República por unânimidade. E depois de longa e demorada e aturada análise como os políticos já nos habituaram.
Como foi possível ninguém ter dado com o gato?
Sei que nem todos são jurístas, nem constitucionalistas, mas alguns são. Onde estavam eles (não no 25 de Abril, mas no dia em que o estatuto foi aprovado?
23.7.08
Reflexões
Qualquer pessoa minimamente atenta à comunicação social, e que seja dotada de uma perspectiva critica, não pode deixar de reparar como o panorama do jornalismo nacional é, na grande maioria dos casos, desolador.
Muitos dos principios básicos do que é fazer jornalismo perderam-se. Os próprios jornalistas parecem sujeitos à vertigem do tempo que eles próprios ajudam a criar, ou que o mundo mediático cria. Já não se pensa, não se pára para pensar. Assume-se e aceita-se tudo, ou quase tudo.
Isto tem várias causas. Desde logo a velha questão dos orgãos de comunicação social serem também eles empresas, e de, tal como todas as outras empresas, estarem sujeitos à lógica economicista. É preferível ter redacções no limite dos minimos e pagar misérias a estagiários que façam alguma coisa do que gastar dinheiro e recursos e investir em pessoas que façam bom jornalismo.
A segunda questão é consequência natural da primeira. A nova geração de jornalistas já não tem qualquer ideal. Hoje já não se luta por nada. Não se luta pela verdade, não se luta pela justiça, não se luta pela liberdade. De resto nem se pode perder tempo com isso, porque a única coisa com que se pode verdadeiramente gastar recursos a lutar é pelo próprio emprego. Pode ser mal pago, mas tem-se um emprego e muitos outros não têm. E se se contestar muito não é dificil arranjar alguém para a mesma posição. Como é possivel lutar por alguma coisa mais além numa sociedade quando em causa, no limite, está a própria sobrevivência de uma pessoa?
Não auguro nada de bom para o futuro do jornalismo neste contexto. É claro que há, e sempre haverá, excepções que são de louvar. Mas o jornalismo e os jornalistas caminham perigosamente para uma massa amorfa de pessoas, seguidistas e acriticas, que não sabem fazer aquilo que deveriam fazer em primeiro lugar: saber questionar.
Muitos dos principios básicos do que é fazer jornalismo perderam-se. Os próprios jornalistas parecem sujeitos à vertigem do tempo que eles próprios ajudam a criar, ou que o mundo mediático cria. Já não se pensa, não se pára para pensar. Assume-se e aceita-se tudo, ou quase tudo.
Isto tem várias causas. Desde logo a velha questão dos orgãos de comunicação social serem também eles empresas, e de, tal como todas as outras empresas, estarem sujeitos à lógica economicista. É preferível ter redacções no limite dos minimos e pagar misérias a estagiários que façam alguma coisa do que gastar dinheiro e recursos e investir em pessoas que façam bom jornalismo.
A segunda questão é consequência natural da primeira. A nova geração de jornalistas já não tem qualquer ideal. Hoje já não se luta por nada. Não se luta pela verdade, não se luta pela justiça, não se luta pela liberdade. De resto nem se pode perder tempo com isso, porque a única coisa com que se pode verdadeiramente gastar recursos a lutar é pelo próprio emprego. Pode ser mal pago, mas tem-se um emprego e muitos outros não têm. E se se contestar muito não é dificil arranjar alguém para a mesma posição. Como é possivel lutar por alguma coisa mais além numa sociedade quando em causa, no limite, está a própria sobrevivência de uma pessoa?
Não auguro nada de bom para o futuro do jornalismo neste contexto. É claro que há, e sempre haverá, excepções que são de louvar. Mas o jornalismo e os jornalistas caminham perigosamente para uma massa amorfa de pessoas, seguidistas e acriticas, que não sabem fazer aquilo que deveriam fazer em primeiro lugar: saber questionar.
Subscrever:
Mensagens (Atom)